MISSÃO NO L.N.A. EM 21 E 22 DE AGOSTO DE 2006

Por A. C. G. Mataruna

 

A IDA

A saída se deu ás 09h20, do Observatório do Valongo, no Rio de Janeiro, reunindo o professor Marcelo Assafin, coordenador da missão, e os alunos Mauro F.Argenta (mestrado OV/UFRJ) e Antonio Carlos G. Mataruna (graduação OV/UFRJ). Às 10h37 (68 km rodados) chegamos ao Belvedere, na Rodovia Presidente Dutra, onde embarcaram os alunos Gustavo P. Borges e Douglas M Sarmento, graduandos de física da Faculdade Moacir Bastos (Campo Grande, RJ), participantes, também, das atividades de iniciação científica orientadas pelo professor Marcelo Assafin.

Às, 10h58 (85 km rodados) chegamos ao topo da Serra das Araras, parando às 11h50 (163 km rodados) num dos postos da Graal, em Resende, para almoço e alongamento de pernas. Esta parada perdurou até às 12h38, quando voltamos à estrada. Às 13h32 (243 km rodados) tomamos a entrada para Itajubá, via Lorena e Piquete. Às 14h08 (288 rodados), após passarmos pela cidade de Piquete, chegamos à parte mais alta dessa estrada, iniciando a descida para o outro lado da Serra da Mantiqueira, em direção a Itajubá, em cuja periferia chegamos por volta das 14h42 (311 km rodados). Nossa chegada à sede do LNA (foto abaixo), em Itajubá, se deu por volta das 14h57 (319 km rodados).

 

 

Após uma breve parada para alongamento de pernas,  um saboroso café e entendimentos entre o professor Marcelo e técnicos do LNA, saímos por volta das 14h56. Às 16h16  (288 km rodados) chegamos à entrada da estrada de terra que leva até o Pico do Dias e iniciamos uma subida lenta devido à aspereza do solo, por causa de costelas e fragmentos rochosos espalhados ao longo de diversos trechos. Às 16h43  (344 km rodados) chegamos ao portão que separa a área do LNA das áreas circunvizinhas, as quais são constituídas de enormes áreas com plantação de bananas. Por falta de energia elétrica, o portão, que é corrediço, precisou ser aberto e fechado manualmente, após a abertura das travas. Finalmente, às 16h56 (352 km rodados), chegamos à recepção do observatório, onde preenchemos os formulários, recebemos agasalhos, lanternas e chaves para os quartos. Após deixarmos as bagagens nos quartos, fomos jantar, cujo serviço tem início às 17h00 pois as observações tem início às 19h00, ou seja, uma hora após o por do Sol.

 

 

O OPD (OBSERVATÓRIO DO PICO DO DIAS)

O OPD fica situado sobre um platô natural existente no cume do Pico do Dias. Além do telescópio principal, um refletor com 1,60 m de diâmetro, existem mais dois instrumentos refletores com espelhos de 60 cm de diâmetro e uma cúpula onde se acomoda um instrumento de 40 cm de diâmetro. Na foto abaixo, extraída do site www.lna.br, mostra uma visão panorâmica do Pico do Dias com o posicionamento das cúpulas.


Foto extraída de www.lna.br

Nas fotos abaixo, tomadas com celular por nós, nesta missão, mostram, à esquerda, as cúpulas dos instrumentos de 40 cm e 60 cm (Zeiss), respectivamente. Na foto da direita vemos a cúpula do instrumento de 60 cm (IAG), bem além do prédio do instrumento principal.

                   

 

 

O ESPETÁCULO

O Pico do Dias, situado a 1.860 m acima do nível do mar, ficando sob escuridão total após o por do Sol pois não existe iluminação nas áreas externas a todas as edificações. Para nos locomovermos precisamos usar as lanternas que nos são fornecidas pela própria instituição ao darmos entrada nas instalações. Com isso, não se tem interferência luminosa na  observação, quer instrumental ou à vista desarmada. Antes de entrarmos na  cúpula do telescópio de 1,6m, olhamos para cima e ficamos deslumbrados com o espetáculo pois era possível, com absoluta nitidez, ver a mancha  branca da Via Láctea. A princípio, ficamos na dúvida se  seria uma nuvem que estivesse sobre o Pico do Dias, mas fomos informados pelos mais experientes nessas missões de que era mesmo uma parte da nossa galáxia.

 

O INSTRUMENTOS UTILIZADOS NESTA MISSÃO

Nesta missão utilizamos o maior instrumento do LNA - o telescópio refletor de 1,60 m de diâmetro. Suas características estão descritas detalhadamente no site daquela instituição. A operação desse telescópio está descrita no manual preparado pelo Douglas e pelo Gustavo.

Mesmo que existam instrumentos muito maiores na Terra, como o telescópio SOAR, com seu espelho de 4 m de diâmetro, ou os telescópios Gemini, com espelhos de 8 m de diâmetro, ou mesmos os telescópios Keck, com espelhos de 10 m de diâmetro, entre outros, a existência desse instrumento no Brasil é muito importante. Procuramos nos familiarizar com os procedimentos de apontamento desse telescópio e com os procedimentos de coleta de imagem. Todas essas ações são executadas a partir da sala de controle, instalada ao lado do telescópio e inserida em um recinto sem vazamento de luz. O telescópio de 1,60 m, na foto à esquerda, fica sob a cúpula do seu edifício, na foto à direita. O tamanho da edificação pode ser comparado com o do Volkswagem Gol do professor Marcelo, estacionado ao lado da mesma.

 

 

 

AGORA, AO TRABALHO!

Na primeira noite, todos reunidos na sala de controle. Em primeiro plano o professor Marcelo Assafin no controle da tomada de imagens. Encapuzado, eu, ACGMataruna, com frio e com sono. Ao fundo, da esquerda para a direita, Mauro Argenta, apontando o telescópio, e Douglas Sarmento observando, aguardando o momento para revezar com Mauro. A foto foi tomada por Gustavo.

 

E lá pela alta madrugada, como ninguém é de ferro, nada como aquele lanchinho nota 10 para animar os ânimos e recarregar as baterias. Muitas frutos, sucos, café, leite, queijo, presunto, pizza, tudo isso para que pudéssemos regressar à sala de controle com todo o ânimo.

    

 

Após uma noitada de observações, das 19h00 do dia anterior até às 05h00 do dia seguinte, entra em ação a equipe de manutenção local quel cuida da limpeza do espelho principal do telescópio com jatos de CO2, para eliminar partículas de poeira.

                         

 

Para facilitar os serviços de manutenção no telescópio, existe uma  plataforma elevável, acionada por macacos hidráulicos, que permite o acesso às partes elevadas do mesmo. Na foto da esquerda, abaixo, vê-se ao fundo o suporte do telescópio. Na  foto da direita, estamos sobre a plataforma, bem junto à base do telescópio.

          

 

 

O frio era de rachar taquara. Na segunda noite eu tive de colocar dois casacos e mais um cobertor por cima de tudo para suportar a friagem. Estava demais.

 

 

Antes do retorno, após um saboroso almoço, o registro fotográfico da nossa presença, tendo ao fundo a cúpula do telescópio Zeiss de 60 cm ao centro e a do telescópio de 40 cm à esquerda.

 

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